São quatro dias sem a minha gorda. Por alguns dias, tem sido muito difícil pensar no que aconteceu e não sentir uma falta de ar e uma dor no peito como se um pedaço tivesse sido arrancado de mim…
A primeira vez que vi a Paçoca, ela ainda nem tinha esse nome. Lembro-me de ter visto a foto e pensado: “ Que gatinha feia!”... Mal sabia eu… Quando a vi realmente e não por uma fotografia, que a segurei nos meus braços, quanta ternura senti… Ela era um pouco arredia, curiosa, porém ressabiada.
Chegou ao apartamento e já queria fazer amizade com o seu irmãozinho… Banguela, que já era dono da casa havia dois meses, não aceitou prontamente o posto de irmão mais velho. Mas Paçoca era especial, era dessas que a gente ama de primeira apesar do deboche. Bastou um dia para que ela o elegesse como mãe e ele a adotasse com todo amor.
Como era curiosa e arteira essa menina. Subia em tudo: painel de televisão, sofá, pia da cozinha, box do banheiro, chuveiro! Meu Deus! A Paçoca subia no chuveiro. Quando pequena, dormia embaixo do meu queixo. Aconchegada no meu amor.
Ela era minha filha, ela ainda é minha filha.
Caçava pássaros, lagartos, ratos do mato, ratos de brinquedo, penas de brinquedo. Paçoca viveu intensamente cada um dos seus instintos. Passeava por horas… mas sempre retornava ao meu chamado.
Às vezes voltava pra dormir comigo só pra dizer “não tem graça passear se você não vai ficar me gritando mamãe…"
Ela foi a minha vida.
Ela esteve comigo quando achamos que seu irmão não voltaria mais.
Estava comigo quando ele ,finalmente, voltou. Sempre ao meu lado em momentos importantes. Fazia questão de mostrar que era só o meu colo que era de fácil acesso.
Ela era linda, peluda, gordinha, sapeca, escaladora de árvores e comedora de sacolas. Amava uma caixa e uma brincadeira.
😿Ela se foi. De repente. Como um sopro. Não foi justo. Não nos despedimos. Nem vamos. Ela sempre estará comigo, em mim e a cada instante. Paçoca é eterna. Os bons nunca morrem. (27/01/2021)